Ninguém discutia com o rei. Ninguém. Então um homem empoeirado com uma capa marrom entrou direto.
O rei Acabe não se levantou. Reis nunca fazem isso.
'Não haverá chuva,' disse Elias. 'Nem uma gota. Até que Deus diga.'
A mandíbula do rei ficou tensa. Seus dedos se curvaram no braço da cadeira.
Elias se virou e saiu. Ele não olhou para trás.
Então a chuva parou. Os rios diminuíram. A grama virou palha.
O chão se abriu em longas rachaduras secas, como se estivesse com sede também.
Então Deus falou, suave como um sopro. 'Vá para o leste. Esconda-se junto ao riacho. Eu te alimentarei lá.'

Entre dois altos penhascos ele o encontrou. Um pequeno riacho, ainda correndo.
Ele bebeu até suas mãos ficarem frias. Tinha o gosto da melhor coisa do mundo.
Havia água. Havia sombra. Não havia nada para comer.
Então ele ouviu. Vruum. Vruum. Algo grande, lá no céu.
Dois corvos. Grandes, pretos, brilhantes como pedras molhadas. E cada um carregava algo.
Pão. Um corvo estava carregando pão.
Eles pousaram sobre a rocha. Então olharam para ele, esperando.

Elias riu alto. Deus estava alimentando-o — com pássaros.
Eles voltaram na manhã seguinte. E naquela noite. E na manhã seguinte também.
Todo dia, pão sobre uma rocha. Sua mesa era de pedra e Deus a preparava duas vezes.
Mas uma manhã, o riacho soou mais silencioso. Elias inclinou a cabeça para ouvir.
A água tinha diminuído. Você podia ver onde costumava estar.
E então um dia não havia mais riacho. Apenas lama cinza rachada.
Elias tocou o chão. Seco. Até a lama estava com sede agora.

'Vá para o norte, para Sarepta,' Deus disse. 'Uma mulher lá te alimentará.' Elias piscou. Uma mulher? Em uma cidade faminta?
Ele caminhou por dias. Sarepta era pequena, empoeirada e muito silenciosa.
Uma mulher estava juntando gravetos no portão. Apenas alguns. Apenas o suficiente.
‘Poderia me dar um pouco de água?’ Elias pediu. Ela assentiu e se virou para ir.
‘E um pedaço de pão?’ ele chamou atrás dela.
Ela parou. 'Tenho um punhado de farinha,' ela disse. 'E um pouco de óleo. É tudo.'

‘Esses gravetos são para nossa última refeição. Minha e do meu menino. Depois não há nada.’
A casa dela tinha um cômodo. Não tinha muita coisa.
Um punhado de farinha. Ela podia ver o fundo do pote.
Um pouco de óleo. O suficiente para um pequeno pão. Não dois.
Seu filho estava de pé junto à parede. Ele não pedia nada. Ele tinha parado de pedir.
‘Faça primeiro um pequeno pão para mim,’ disse Elias. ‘Depois faça um para você e seu filho.’
Primeiro? Seu coração ficou muito pequeno e muito alto. Era a última refeição deles.

‘Não tenha medo,’ ele disse suavemente. ‘Seu pote não ficará vazio. Deus disse.’
Ela olhou para seu menino. Ela olhou para o pote. Então ela alcançou dentro.
Ela alimentou seus últimos gravetos ao fogo. O pequeno forno brilhou laranja.
Um pequeno pão. Quente, redondo, e não dela.
Ela deu a ele. O pão inteiro. Cada migalha.
Então ela voltou ao pote. Ela já sabia o que encontraria.
Farinha. Até o topo. Ela colocou ambas as mãos dentro só para ter certeza.

E óleo. Escorrendo dourado e devagar, como se nunca tivesse estado baixo.
Os olhos do menino ficaram redondos como pratos. 'Mamãe,' ele sussurrou. 'Mamãe, olha.'
Aquela noite, três pessoas comeram até ficarem satisfeitas. Ninguém fazia isso há muito tempo.
O pote nunca ficou vazio. Não no dia seguinte. Nem no outro. Nem uma vez.
Então uma manhã Elias subiu a colina. Bem longe sobre o mar — uma pequena nuvem cinza.
A chuva voltou. Elias olhou para cima, rindo, e dois pássaros pretos circulavam acima. Deus nunca o esqueceu.
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