Gideão estava debulhando trigo no fundo de um buraco. Ninguém debulha trigo em um buraco. A menos que esteja se escondendo.
Ele espiou por cima da borda. Nada. Ele se abaixou novamente. TAC foi o som do bastão.
A cada colheita, os midianitas vinham. Como gafanhotos. Eles levavam o trigo, as ovelhas, tudo.
'Alguém?' 'Ninguém,' sussurrou Purá. Gideão estava cansado de se esconder. Mas se esconder era tudo o que ele sabia.
Então um estranho sentou-se sob a oliveira. Gideão não o ouviu chegar.
'O Senhor está com você, herói valente!' Gideão olhou para trás. Não havia ninguém lá. 'Eu?'
'Se Deus está conosco,' disse Gideão, 'por que tudo está tão ruim?'
'Vá,' disse o estranho. 'Salve seu povo. Eu estou enviando você.'

'Eu? Minha família é a menor. E eu sou o menor da minha família.'
'Eu estarei com você,' disse o estranho. Como se isso resolvesse tudo.
Gideão trouxe pão para ele. O estranho tocou-o com seu cajado. WHOOSH! Fogo saiu da rocha!
Quando a fumaça se dissipou, o estranho havia sumido. Gideão sentou-se com força. Aquele não era um estranho.
Naquela noite, Gideão ainda não tinha certeza. Ele colocou uma lã de ovelha no chão. 'Deus, se é realmente você, faça a lã ficar molhada e o chão seco.'
A manhã chegou. O chão estava seco como pão. E a lã? Gideão a espremeu. Um pote cheio de água saiu.
'Mais uma vez?' Gideão fez uma careta. 'Lã seca, chão molhado?' E Deus, que é muito paciente, fez isso também.

Então Gideão vestiu um manto, levantou a trombeta de chifre de carneiro e soprou. BRAAAAP! Foi o som mais corajoso que ele já fez.
E homens vieram. De todas as aldeias. Por todas as colinas. Eles continuavam vindo.
Perto da fonte de Harode, Gideão contou. Trinta e dois mil homens! Agora ISSO era um exército.
Gideão sorriu pela primeira vez em semanas. Então Deus falou. 'Muitos.'
'MUITOS?' 'Se você vencer com tantos, dirão que fizeram isso sozinhos. Mande para casa quem estiver com medo.'
Vinte e dois mil homens foram para casa. Gideão os observou partir. Ele sentiu vontade de ir com eles.
'Ainda são muitos,' disse Deus. 'Leve-os à água.' A boca de Gideão ficou seca.

A maioria se ajoelhou e colocou o rosto no riacho. Alguns pegaram água com as mãos, ainda olhando ao redor, como vigias.
'Fique com os que pegaram,' disse Deus. Gideão os contou. Trezentos.
Trezentos. Contra um exército como gafanhotos. 'Com esses,' disse Deus, 'eu vou salvar você.'
Naquela noite, Gideão não conseguia dormir. Trezentos. Ele os contou novamente. Ainda eram trezentos.
'Se você está com medo,' Deus disse suavemente, 'vá até o acampamento deles. Leve Purá. Ouça.' Gideão estava com medo. Então ele foi.
Eles se arrastaram até a colina e olharam para baixo. Oh. Oh não.

Fogueiras, e fogueiras, e fogueiras. Tendas como um mar. Camelos sem fim. 'Gideão,' sussurrou Purá. 'É muita gente.'
Desceram, desceram, se arrastando. Passaram pelos camelos adormecidos. Até a tenda mais próxima.
Lá dentro, um guarda estava falando. 'Eu tive um sonho. Um pão de cevada rolou para o nosso acampamento e esmagou uma tenda. Plana!'
Seu amigo ficou pálido. 'Isso é Gideão! Deus nos entregou a ele!'
Os joelhos de Gideão ficaram fracos. O inimigo estava com medo. DELE. Ali mesmo no escuro, Gideão abaixou a cabeça e agradeceu a Deus.
'Levantem-se!' Gideão gritou, correndo para o acampamento. 'Deus já nos deu a vitória!'
Ele deu a cada homem uma trombeta de chifre de carneiro. E um jarro de barro. E dentro de cada jarro, uma tocha acesa, escondida.

'Sem espadas,' disse Gideão. 'Observem-me. Façam o que eu fizer.' Os homens olharam para seus jarros. Depois um para o outro.
Três grupos se esgueiraram ao redor do acampamento no escuro. Silêncio. Silêncio. Silêncio.
Gideão levantou a trombeta. Ele respirou fundo.
BRAAAAP foi a trombeta! CRASH foi o jarro! E a tocha brilhou, clara como o dia.
CRASH foram trezentos jarros! Trezentas tochas brilharam! Trezentas trombetas soaram! 'Uma espada para o SENHOR e para GIDEÃO!'
O inimigo acordou. Fogo por todos os lados! Trombetas por toda parte! 'É um exército! UM ENORME! CORRAM!'
Eles correram uns para os outros. Eles correram para seus camelos. Eles correram e correram e não pararam.

E os trezentos? Eles apenas ficaram lá. Segurando suas tochas. Nenhum deles brandiu uma espada.
Gideão riu. Saiu um pouco trêmulo. 'Pequeno,' ele disse, 'mais Deus. Isso é suficiente.'
O sol nasceu em um vale vazio. Nenhum inimigo restou. Apenas tendas balançando ao vento.
Naquela colheita, Gideão debulhou seu trigo no topo da colina. A céu aberto. Ao vento.
'Não está se escondendo?' Purá sorriu. 'Não estou me escondendo,' disse Gideão.
Ele ainda era o menor da sua família. E estava tudo bem. Deus estava com ele.
Samuel Ouve Deus
Jesus Anda Sobre as Águas
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A Corajosa Rainha Ester
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